F1: Vasseur critica Hamilton e Leclerc no México, mas será que a culpa também não é do chefe da Ferrari?

Fred Vasseur na Ferrari

 

Após mais um desentendimento entre os pilotos da Ferrari, Fred Vasseur fala em falta de respeito à equipe. Mas o dirigente francês também precisa assumir sua parcela de responsabilidade pela falta de controle nas disputas internas da escuderia.

O Grande Prêmio do México de Fórmula 1, disputado neste domingo (1º), trouxe mais um episódio de tensão dentro da Ferrari. Desta vez, os protagonistas foram Lewis Hamilton e Charles Leclerc, que protagonizaram uma disputa acirrada logo nas primeiras voltas da corrida, comprometendo uma oportunidade que poderia ter terminado com uma vitória da equipe italiana.

A situação deixou o chefe da Ferrari, Fred Vasseur, bastante irritado. Após a prova, o dirigente francês não escondeu sua insatisfação e classificou o comportamento dos pilotos como uma falta de respeito à marca, aos patrocinadores e aos aproximadamente 2 mil profissionais que trabalham nos bastidores da escuderia.

A Ferrari chegou a ocupar as duas primeiras posições no início da corrida, mas a disputa entre seus próprios pilotos abriu espaço para Max Verstappen assumir a liderança. No resultado final, Hamilton terminou em segundo lugar, enquanto Leclerc ficou na quarta posição, depois de receber uma punição de cinco segundos por obter vantagem ao sair da pista.

Vasseur afirmou que pretende conversar com os dois pilotos para esclarecer o ocorrido. Entretanto, na minha avaliação, existe uma questão ainda mais importante que precisa ser discutida dentro da Ferrari: até quando Fred Vasseur vai assistir aos conflitos entre seus pilotos sem conseguir estabelecer uma administração eficiente dessas disputas?

O problema não começou no México: Monza já havia dado o alerta

É importante lembrar que esse tipo de situação não é novidade na Ferrari. No GP de Monza, em setembro, Charles Leclerc também protagonizou uma manobra sobre Lewis Hamilton que gerou insatisfação do piloto britânico.

Na ocasião, Hamilton reclamou da forma como foi disputada a posição, enquanto Vasseur admitiu que a equipe precisaria avaliar a possibilidade de estabelecer ordens internas para evitar novos prejuízos.

Ou seja, o problema já estava identificado.

Agora, no México, novamente os dois pilotos se envolveram em uma disputa que colocou os interesses individuais acima do resultado coletivo. E a pergunta que fica é: o que Fred Vasseur fez, desde Monza, para evitar que esse cenário se repetisse?

Não basta apenas demonstrar irritação depois da corrida, cobrar respeito à Ferrari e convocar os pilotos para uma conversa. O trabalho de um chefe de equipe também envolve antecipar problemas, estabelecer limites e criar procedimentos claros para que situações como essa não prejudiquem o trabalho de toda a escuderia.

Vasseur precisa assumir sua responsabilidade como gestor

Na minha opinião, Fred Vasseur precisa olhar para o próprio trabalho antes de apontar os erros de Hamilton e Leclerc.

Como chefe de equipe, cabe a ele administrar os interesses dos dois pilotos, definir regras de convivência nas disputas por posição e deixar claro que nenhum resultado individual pode estar acima dos objetivos da Ferrari.

Hamilton é um heptacampeão mundial e Leclerc é um piloto que conhece profundamente a equipe. Ambos têm personalidade, ambição e vontade de vencer. Isso faz parte da Fórmula 1. Entretanto, é justamente nessas situações que a capacidade de liderança de um chefe de equipe precisa aparecer.

Se os pilotos não conseguem administrar sozinhos suas disputas dentro da pista, cabe à direção estabelecer regras claras.

A Ferrari não pode esperar que cada corrida termine em reclamações pelo rádio, declarações atravessadas e cobranças públicas. Esse tipo de ambiente desgasta a equipe e pode custar pontos importantes ao longo de um campeonato.

A Ferrari precisa de comando, não apenas de cobranças

Fred Vasseur tem todo o direito de cobrar comprometimento e respeito de seus pilotos. Afinal, a Ferrari representa uma das maiores histórias do automobilismo mundial e existe uma enorme estrutura trabalhando para colocar seus carros na disputa por vitórias.

Entretanto, a cobrança precisa valer para todos, inclusive para quem ocupa o cargo mais alto da equipe.

Não adianta Vasseur reclamar que Hamilton e Leclerc estão prejudicando os interesses da Ferrari se ele próprio não consegue estabelecer uma política clara para administrar os dois pilotos.

O episódio de Monza deveria ter servido como um alerta. O ocorrido no México mostra que a situação continua sem uma solução efetiva.

A Ferrari precisa deixar claro que seus pilotos podem competir, mas existem limites. Disputar posições é natural e faz parte do espetáculo da Fórmula 1. Colocar em risco o resultado coletivo por falta de organização nas disputas internas é outra história.

Na minha visão, Fred Vasseur também tem responsabilidade direta pelo cenário que estamos acompanhando. Um chefe de equipe precisa ser líder, estrategista e, acima de tudo, gestor de pessoas. Não pode assumir essa função apenas quando os problemas aparecem.

A Ferrari tem dois pilotos de enorme talento, uma história extraordinária e uma estrutura que trabalha para voltar ao topo da Fórmula 1. O que falta é uma gestão capaz de transformar esse potencial em resultados.

E fica a pergunta: será que Fred Vasseur conseguirá colocar ordem na casa antes que mais oportunidades de vitória sejam desperdiçadas?

Aceleraaa com a gente, Balaclava F1.

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