SPA, 28 DE AGOSTO DE 1988: O DOMÍNIO DE SENNA E PROST QUE PAROU A FÓRMULA 1
Na Bélgica, Ayrton Senna e Alain Prost fizeram a dobradinha que garantiu à McLaren-Honda o título mundial de construtores. Era apenas mais um capítulo de uma temporada que parecia pertencer a eles.
Spa-Francorchamps amanheceu naquele domingo com a atmosfera que só os grandes dias da Fórmula 1 conseguem produzir.
Era 28 de agosto de 1988.
No circuito belga, entre curvas rápidas, mudanças de elevação e aquele asfalto cercado pela floresta das Ardenas, dois homens ocupavam novamente o centro do palco.
Ayrton Senna e Alain Prost.
Naquele campeonato, quando um deles não estava vencendo, o outro geralmente estava.
E, naquele fim de semana, não seria diferente.
A McLaren-Honda havia chegado à Bélgica como a equipe a ser batida. O MP4/4 parecia pertencer a uma categoria diferente. Senna e Prost, por sua vez, transformavam cada Grande Prêmio em uma demonstração de velocidade, técnica e precisão.
Na classificação, Senna foi mais uma vez perfeito.
Pole position.
Ao lado dele, Alain Prost.
A primeira fila era toda da McLaren.
Era o prenúncio de mais um domingo de domínio.
QUANDO O SEMÁFORO SE APAGOU
A largada aconteceu.
Senna manteve a liderança.
Prost vinha logo atrás.
E, volta após volta, o brasileiro construía sua corrida.
Spa não oferecia espaço para erros. Era preciso coragem para enfrentar Eau Rouge, precisão para atravessar as curvas velozes e, acima de tudo, confiança absoluta no carro.
Senna tinha tudo isso.
O McLaren MP4/4 respondia.
O Honda RA168E entregava a força necessária.
E Ayrton pilotava como se tivesse encontrado o limite e decidido morar nele.
Foram 43 voltas.
Senna liderou todas.
Não houve troca de liderança.
Não houve ameaça real.
Não houve discussão sobre quem venceria.
Apenas a confirmação, volta após volta, de que aquele domingo pertencia ao brasileiro.
Quando recebeu a bandeirada, Ayrton Senna havia conquistado sua oitava vitória na temporada.
Atrás dele, Alain Prost completava a festa.
A diferença entre os dois era de pouco mais de 30 segundos.
O terceiro colocado, Ivan Capelli, terminou mais de 75 segundos atrás do vencedor.
Era uma demonstração impressionante.
Era a McLaren-Honda em seu estado mais puro.
Primeiro Senna. Segundo Prost.
Mais uma dobradinha.
E O TÍTULO ERA DA McLAREN
Mas havia algo ainda maior esperando pela equipe naquele domingo.
Com os pontos conquistados em Spa-Francorchamps, a McLaren-Honda garantiu matematicamente o Campeonato Mundial de Construtores de 1988.
E o mais impressionante: ainda restavam cinco corridas para o fim da temporada.
A equipe havia simplesmente se tornado inalcançável.
Senna e Prost tinham levado a McLaren a um nível de domínio que parecia impossível.
E ainda havia mais por vir.
Muito mais.
DOIS GÊNIOS, UM MESMO BOX
Talvez seja isso que torne aquela temporada tão especial.
Ayrton Senna e Alain Prost não eram apenas companheiros de equipe.
Eram dois pilotos que queriam desesperadamente vencer.
Cada um tinha seu estilo.
Senna era agressivo, visceral, capaz de transformar uma volta de classificação em uma obra de arte.
Prost era cerebral, calculista, extremamente preciso. O francês parecia enxergar a corrida alguns quilômetros à frente dos demais.
E os dois estavam no mesmo carro.
O melhor carro.
Com o melhor motor.
O resultado foi uma temporada que entrou para a história.
Em Spa, porém, por algumas horas, a rivalidade ficou em segundo plano.
Naquele pódio, havia apenas a imagem de dois gigantes comemorando juntos.
Senna no lugar mais alto.
Prost ao seu lado.
E a McLaren-Honda no topo do mundo.
O MOTOR QUE FAZIA A DIFERENÇA
Por trás daquele espetáculo também estava uma das grandes obras da engenharia da Fórmula 1.
O Honda RA168E, motor turbo de 1,5 litro, era parte fundamental daquela máquina vencedora.
A parceria entre McLaren e Honda havia começado justamente em 1988.
E não demorou para produzir resultados extraordinários.
Potência, eficiência, confiabilidade e capacidade de adaptação fizeram do conjunto McLaren-Honda uma referência.
Nas mãos de Senna e Prost, o resultado parecia quase imbatível.
A temporada terminaria com 15 vitórias da McLaren em 16 Grandes Prêmios.
E a única corrida que escapou da equipe seria justamente aquela que ninguém esperava: o GP da Itália, em Monza.
Mas isso é outra história.
UM DOMINGO QUE VIROU HISTÓRIA
Hoje, olhando para aquela fotografia de Spa-Francorchamps, é impossível não perceber a dimensão daquele momento.
Ayrton Senna.
Alain Prost.
McLaren.
Honda.
Um carro extraordinário.
Uma temporada extraordinária.
E um campeonato que ainda tinha capítulos importantes para escrever.
O título de construtores estava decidido.
O de pilotos, entretanto, ainda seria disputado.
E seria decidido apenas algumas semanas depois, no Japão.
Mas naquele 28 de agosto de 1988, em Spa-Francorchamps, a Fórmula 1 testemunhou mais uma demonstração de força de uma das maiores duplas que o automobilismo já produziu.
Senna venceu.
Prost ficou em segundo.
A McLaren-Honda foi campeã mundial de construtores.
E os fãs que estavam diante das arquibancadas, dos televisores e dos rádios talvez ainda não soubessem, mas estavam assistindo a um dos capítulos de uma temporada que se tornaria lendária.
Porque existem corridas que terminam quando a bandeirada é dada.
E existem corridas que permanecem para sempre.
Spa, 28 de agosto de 1988, pertence à segunda categoria.
Senna e Prost.
McLaren e Honda.
Primeiro e segundo.
E a história sendo escrita diante dos nossos olhos.
Aceleraaa com a gente, Balaclava F1.




