A aposta de Senna em Monza: quando Ayrton transformou confiança em uma McLaren para a garagem

Uma aposta feita antes de uma das grandes vitórias de Senna

Existem histórias na Fórmula 1 que parecem ter sido escritas para o cinema. A de Ayrton Senna em Monza, em 1990, é uma delas.

Era 9 de setembro de 1990. De um lado, Ayrton Senna. Do outro, a Ferrari de Alain Prost, seu maior rival na disputa pelo campeonato mundial. E, ao redor deles, milhares de torcedores italianos que transformavam o Autodromo Nazionale di Monza em um verdadeiro território vermelho.

Naquele cenário, a Ferrari era apontada como uma das grandes forças para a corrida.

Mas Ayrton Senna tinha outros planos.

E tinha tanta confiança de que poderia vencer que decidiu transformar sua convicção em uma aposta com Ron Dennis, então chefe da McLaren.

O premio?

A própria McLaren que ele utilizasse para vencer a corrida.

Uma aposta feita antes de uma das grandes vitórias de Senna

Senna já liderava o campeonato de 1990 quando chegou à Itália. Ainda assim, Monza carregava um significado especial.

O brasileiro nunca havia vencido naquele circuito.

Em 1989, inclusive, Senna tinha uma vantagem confortável sobre Prost quando seu motor Honda apresentou uma falha e o deixou fora da corrida. Um ano depois, a oportunidade de finalmente vencer em Monza estava novamente diante dele.

Ron Dennis, porém, não acreditava que seria uma tarefa fácil.

A Ferrari estava em casa. Prost corria diante de sua torcida. E Monza, com suas longas retas e enormes velocidades, parecia oferecer à equipe italiana uma oportunidade perfeita para desafiar a McLaren.

Senna enxergava a situação de outra maneira.

Segundo o relato do Instituto Ayrton Senna, o brasileiro propôs a Dennis uma aposta: se vencesse o Grande Premio da Italia, ganharia de presente o carro utilizado na corrida.

Ron aceitou.

Talvez naquele momento parecesse apenas uma provocação entre piloto e chefe de equipe.

Mas Ayrton levou a aposta muito a serio.

E Senna não apenas venceu. Ele dominou.

No sábado, Senna já havia dado o primeiro aviso.

Pole position.

No domingo, veio a resposta definitiva.

Vitoria.

E como se não bastasse, o brasileiro ainda registrou a volta mais rápida da corrida e liderou de ponta a ponta.

Alain Prost terminou em segundo com a Ferrari, enquanto Gerhard Berger completou o podio pela McLaren.

Ayrton não apenas ganhou a aposta.

Ele fez questão de não deixar nenhuma duvida sobre quem havia sido o melhor piloto naquele fim de semana.

Para quem acompanhava Senna naquela época, havia algo familiar naquela atuação.

Era o Ayrton que parecia transformar pressão em combustível.

Quanto maior o desafio, maior parecia ser sua resposta.

A Ferrari estava em casa. Senna também.

Talvez o detalhe mais fascinante daquela historia seja o contexto.

Monza não era simplesmente mais uma corrida.

Era a casa da Ferrari.

E Prost não era simplesmente mais um adversario.

Era o homem com quem Senna travava uma das maiores rivalidades da historia da Formula 1.

A Ferrari tinha a torcida.

Prost tinha uma maquina competitiva.

Senna tinha a McLaren e, acima de tudo, tinha a conviccao de que poderia vencer.

E venceu.

Naquele domingo, o silencio de uma torcida italiana acostumada a comemorar seus heróis contrastou com a celebração de um brasileiro que acabara de conquistar uma vitória importantíssima para sua caminhada rumo ao bicampeonato.

Com o resultado, Senna abriu 16 pontos de vantagem sobre Prost, faltando quatro corridas para o fim da temporada.

O campeonato ainda teria Suzuka.

Ainda teria a polemica largada entre Senna e Prost.

Ainda teria o segundo titulo mundial.

Mas antes de tudo isso, existiu Monza.

E então veio a hora de pagar a aposta

Ron Dennis havia dado sua palavra.

E palavra dada a Ayrton Senna precisava ser cumprida.

Ao final da temporada, o carro foi entregue ao piloto.

Era uma McLaren MP4/5B, o chassi numero 6, um carro que acabou se tornando ainda mais especial porque havia sido utilizado por Senna em outras três vitórias naquele campeonato: Canada, Alemanha e Belgica.

Ou seja: aquela não era simplesmente a McLaren com a qual Ayrton venceu em Monza.

Era um pedaço da temporada histórica de 1990.

Um carro que carregava algumas das principais vitorias do brasileiro naquele ano.

E que, décadas depois, continuaria contando a historia de um dos maiores pilotos que já passaram pela Formula 1.

Um carro, uma aposta e uma lembrança que atravessou décadas

Hoje, a McLaren MP4/5B faz parte do acervo histórico ligado a Ayrton Senna e esta preservada em Sao Paulo.

Especialistas que analisaram o carro confirmaram que se tratava do chassi numero 6.

E é curioso pensar que tudo começou com uma aposta.

Uma conversa entre piloto e chefe de equipe.

Uma provocação.

Um desafio.

E terminou com uma das McLaren mais importantes da carreira de Ayrton Senna fazendo parte de sua historia para sempre.

Para um fã de Senna, é impossível não imaginar a cena

Talvez seja justamente isso que torna essa historia tão especial.

Quando pensamos em Ayrton Senna, lembramos das poles, das vitorias, das ultrapassagens, de Monaco, de Suzuka, de Interlagos.

Mas também lembramos daquele olhar.

Daquela confiança quase desconcertante.

Da sensação de que, quando Senna acreditava que poderia fazer alguma coisa, ele simplesmente ia la e fazia.

Em Monza, em 1990, ele acreditou que poderia vencer a Ferrari em seu próprio território.

Ron Dennis aceitou a aposta.

Senna cumpriu a sua parte.

E, no final daquela tarde italiana, o brasileiro tinha três motivos para comemorar:

A vitória.

A liderança ampliada no campeonato.

E uma McLaren esperando por ele.

Talvez Ron Dennis tenha pensado que estava apenas fazendo uma aposta.

Ayrton Senna, provavelmente, já sabia que estava negociando a futura garagem.

Monza ficou para sempre na história de Senna

A vitória daquele domingo foi muito mais do que uma corrida vencida.

Foi a resposta de Senna a um circuito que havia lhe tirado uma vitória um ano antes.

Foi uma vitória diante da Ferrari.

Foi uma vitória sobre Prost.

Foi um passo importante rumo ao bicampeonato.

E foi também o dia em que uma aposta inusitada transformou um carro de Formula 1 em um presente para o piloto que acabara de conduzi-lo à vitória.

Senna apostou que venceria.

Venceu.

E, como Ayrton Senna costumava fazer quando colocava algo na cabeça, foi até o fim.

No fim das contas, Ron Dennis pagou a aposta.

E nós, fãs de Senna, ganhamos mais uma história para contar.

Aceleraaa com a gente, Balaclava F1.

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