60 Anos de Espera: Kimi Antonelli Faz Monza Voltar a Ser Italiana

De 19º ao Céu de Monza: Kimi Antonelli Entra para a História da Itália

Existem vitórias que valem três pontos, um troféu e algumas linhas nos livros de estatísticas.

E existem vitórias que ultrapassam tudo isso.

A vitória de Kimi Antonelli em Monza, neste domingo, é uma delas.

Porque hoje não foi apenas o dia em que um piloto venceu o Grande Prêmio da Itália.

Hoje foi o dia em que a Itália voltou a vencer em Monza.

Foram 60 anos de espera.

Sessenta anos desde que Ludovico Scarfiotti colocou uma Ferrari no topo do pódio do GP da Itália, em 1966.

Desde então, muita coisa mudou na Fórmula 1. Os carros ficaram absurdamente mais rápidos, a tecnologia transformou completamente o esporte, novas gerações de pilotos surgiram e Monza continuou sendo aquele templo sagrado da velocidade.

Mas uma coisa permanecia inexplicavelmente distante:

um italiano vencendo diante dos seus próprios torcedores.

Até hoje.

E tinha que ser desse jeito?

Talvez a Fórmula 1 tenha mesmo um gosto especial por histórias improváveis.

Porque, se Kimi Antonelli tivesse largado na primeira fila e vencido de ponta a ponta, já seria uma vitória histórica.

Mas não.

O roteiro precisava ser muito maior.

Antonelli começou sua corrida em casa na 19ª posição. Uma punição por componentes adicionais da unidade de potência o colocou praticamente no fundo do grid.

Dezenove.

Em Monza.

Diante de milhares de italianos que foram ao circuito sonhando com um momento que não acontecia havia seis décadas.

Confesso que, olhando para aquele grid, era difícil imaginar uma vitória.

Talvez uma boa recuperação.

Talvez alguns pontos.

Talvez um quinto ou sexto lugar, que já seria um excelente resultado diante das circunstâncias.

Mas vitória?

Parecia coisa de sonho.

Só que Kimi Antonelli decidiu transformar o sonho em realidade.

De 19º para primeiro

A corrida começou e, pouco a pouco, aquele Mercedes número 12 começou a aparecer.

Uma ultrapassagem.

Depois outra.

Mais uma.

Antonelli foi avançando pelo pelotão com a tranquilidade de quem parecia saber exatamente o que precisava fazer.

Enquanto outros pilotos brigavam pela sobrevivência, o italiano construía sua própria corrida.

E existe um momento muito particular em uma corrida como essa.

É quando o torcedor começa a fazer contas.

Você olha para a classificação.

Olha para as voltas restantes.

Olha para a diferença entre os pilotos.

E começa a pensar:

“E se?”

E se ele conseguir?

E se chegar na frente?

E se hoje for o dia?

Monza começou a acreditar.

E quando Monza acredita, é difícil explicar o que acontece naquele autódromo.

Porque Monza não é apenas um circuito.

Monza é uma paixão.

Quando a corrida virou história

Na frente estava George Russell.

O companheiro de equipe.

O principal adversário de Antonelli na disputa pelo campeonato.

E, naquele momento, o homem que separava Kimi de uma vitória que poderia marcar sua carreira para sempre.

A estratégia também entrou em cena.

Durante um Virtual Safety Car, Antonelli foi aos boxes para colocar pneus médios novos. Russell permaneceu na pista com pneus duros usados, que começaram a perder rendimento conforme as voltas avançavam.

E então veio o momento.

Kimi chegou.

Atacou.

Passou.

Houve disputa.

Houve até um pequeno momento de tensão quando Antonelli escapou para a área de escape durante o ataque a Russell.

Mas ele não desistiu.

Poucas voltas depois, conseguiu finalmente superar o companheiro de Mercedes.

E naquele instante aconteceu algo que, até algumas horas antes, parecia impossível.

Kimi Antonelli era o líder do Grande Prêmio da Itália.

Um italiano.

Em Monza.

Na frente de uma multidão italiana.

E faltavam apenas algumas voltas.

Imagino o que aconteceu nas arquibancadas

É difícil transmitir pela televisão aquilo que uma arquibancada sente.

A televisão mostra o carro.

Mostra a ultrapassagem.

Mostra a bandeirada.

Mas não consegue mostrar completamente o que acontece no coração de milhares de pessoas naquele instante.

E eu fico imaginando Monza.

Aquela mistura de vermelho, bandeiras, gritos, lágrimas e incredulidade.

Porque os italianos não estavam apenas torcendo por uma vitória.

Eles estavam testemunhando o fim de uma espera que durou uma vida inteira para algumas pessoas.

Sessenta anos.

Há torcedores que nasceram, cresceram e envelheceram sem jamais ver um piloto italiano vencer o GP da Itália.

Hoje, finalmente, eles puderam dizer:

“Eu vi.”

Ludovico Scarfiotti finalmente ganhou companhia

É impossível contar essa história sem mencionar Ludovico Scarfiotti.

Em 1966, ele venceu em Monza pela Ferrari.

Durante 60 anos, seu nome permaneceu sozinho nessa estatística.

Agora não está mais.

Kimi Antonelli escreveu seu nome ao lado do de Scarfiotti.

E há algo bonito nisso.

Porque são épocas completamente diferentes.

Scarfiotti corria em uma Fórmula 1 que hoje parece pertencer a outro planeta.

Antonelli corre em carros híbridos, cercado por computadores, telemetria, simuladores e uma quantidade inimaginável de tecnologia.

Mas existe algo que não mudou.

A emoção.

A velocidade.

A paixão italiana.

E Monza.

E não foi uma Ferrari

Talvez essa seja uma das ironias mais interessantes dessa história.

Durante décadas, quando se imaginava um italiano vencendo em Monza, era quase automático pensar em uma Ferrari.

O vermelho.

O Cavallino Rampante.

Os tifosi.

O hino italiano tocando enquanto uma Ferrari estivesse parada diante do pódio.

Mas hoje a história foi diferente.

Hoje, o herói italiano estava em uma Mercedes.

E, sinceramente, talvez isso torne tudo ainda mais especial.

Porque Kimi Antonelli não precisou vestir vermelho para conquistar a Itália.

Ele conquistou Monza sendo simplesmente Kimi.

E isso é importante.

Ele não precisa ser o novo Schumacher.

Não precisa ser o novo Alonso.

Não precisa ser comparado eternamente com os grandes pilotos do passado.

Kimi Antonelli pode ser o primeiro Kimi Antonelli.

E talvez seja exatamente isso que a Itália esteja começando a descobrir.

Um garoto que já não é promessa

Durante algum tempo, Antonelli foi tratado como uma promessa.

O jovem italiano.

O talento.

O futuro.

O piloto que um dia poderia vencer.

Mas talvez seja hora de parar de falar no futuro.

Porque o futuro chegou.

Kimi já venceu corridas.

Já venceu em pistas importantes.

E agora acaba de fazer algo que nenhum italiano havia conseguido em 60 anos.

Além disso, a vitória em Monza ampliou sua liderança no campeonato para 66 pontos sobre George Russell. Foi seu sétimo triunfo na temporada.

Isso muda a dimensão da história.

Não estamos falando apenas de uma bela vitória em casa.

Estamos falando de um piloto que está no centro da disputa pelo Mundial de Fórmula 1.

E que acaba de mandar um recado para todo o grid.

Monza esperou. Kimi chegou.

Talvez daqui a alguns anos, quando olharmos para a carreira de Kimi Antonelli, essa corrida seja lembrada como o momento em que tudo mudou.

Talvez ele conquiste campeonatos.

Talvez venham dezenas de vitórias.

Talvez troféus muito maiores.

Mas haverá sempre uma corrida diferente de todas as outras.

Monza.

Largando em 19º.

Terminando em primeiro.

Sessenta anos depois de Scarfiotti.

E isso ninguém poderá tirar dele.

Porque algumas vitórias pertencem ao piloto.

Outras pertencem à equipe.

E algumas pertencem a um país inteiro.

Esta pertence à Itália.

Hoje, Monza não viu apenas um vencedor.

Viu uma espera terminar.

Viu uma nova geração assumir o lugar que durante décadas pareceu vazio.

Viu um garoto de Bolonha transformar pressão em coragem, expectativa em velocidade e um domingo impossível em uma das páginas mais bonitas da história recente da Fórmula 1.

E talvez seja essa a beleza do esporte.

Ele nos faz esperar.

Nos faz sofrer.

Nos faz acreditar quando parece não haver mais esperança.

E, de vez em quando, nos entrega um momento que vale por décadas.

Monza esperou 60 anos.

E Kimi Antonelli fez a espera valer a pena.

Hoje, o hino italiano voltou a tocar no topo do pódio de Monza.

E, desta vez, o futuro estava dentro de um Mercedes.

Kimi Antonelli.

Guardem esse nome.

Porque a história, ao que tudo indica, está apenas começando.

Aceleraaa com a gente, Balaclava F1.

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