Aston Martin fecha 2025 no prejuízo e relatório revela pagamento milionário ligado a Lance Stroll

Aston Martin prejuízo 2025

Equipe de Fórmula 1 aumentou a receita, mas terminou o ano com prejuízo de £41,1 milhões

A Aston Martin encerrou 2025 com números que mostram o tamanho dos investimentos realizados para transformar sua equipe de Fórmula 1 em uma das principais forças do campeonato. Apesar do forte crescimento das receitas, a operação comandada pela AMR GP Limited terminou o exercício financeiro com prejuízo de £41,1 milhões.

Os dados foram divulgados nas contas da empresa referentes ao exercício encerrado em 31 de dezembro de 2025. O relatório mostra que a receita da equipe chegou a £344,2 milhões, contra £280,7 milhões em 2024, um crescimento de aproximadamente 22,6%.

O aumento da receita, porém, não foi suficiente para levar a operação ao lucro.

A AMR GP registrou prejuízo operacional de £20,4 milhões. Depois das despesas financeiras, o prejuízo antes dos impostos chegou a £51,7 milhões. Com um crédito tributário de £10,6 milhões, o resultado final ficou negativo em £41,1 milhões.

Em 2024, o prejuízo havia sido de £45,8 milhões.

Custos com funcionários praticamente dobraram

Um dos pontos que mais chama atenção no balanço é o crescimento da estrutura da equipe.

A Aston Martin tinha, em média, 845 funcionários em 2024. Em 2025, esse número subiu para 996.

O aumento da folha de pessoal foi ainda mais significativo. Os custos totais com funcionários passaram de £69,8 milhões para £134,1 milhões em apenas um ano. Desse montante, £107,5 milhões corresponderam a salários.

A expansão está diretamente relacionada ao projeto de crescimento da Aston Martin na Fórmula 1.

A equipe vem ampliando suas instalações em Silverstone e investindo em infraestrutura, tecnologia, engenharia e desenvolvimento do carro. O novo túnel de vento passou a operar plenamente em 2025, enquanto a estrutura tecnológica da equipe foi utilizada no desenvolvimento do AMR25 e posteriormente direcionada para o projeto do AMR26.

Desenvolvimento do carro também exige milhões

O investimento no departamento técnico continua sendo uma das principais despesas da equipe.

Segundo as contas, a Aston Martin destinou £136,7 milhões a pesquisa e desenvolvimento em 2025. No ano anterior, esse valor havia sido de £125,9 milhões.

O crescimento dos gastos ajuda a explicar por que uma equipe capaz de gerar mais de £340 milhões em receitas ainda pode apresentar prejuízo no balanço anual.

A Fórmula 1 exige investimentos constantes em pessoal, infraestrutura, aerodinâmica, simuladores, túnel de vento, produção de componentes e desenvolvimento do carro.

No caso da Aston Martin, esses investimentos fazem parte de um projeto de expansão que ganhou força desde a chegada de Lawrence Stroll ao controle da operação.

Relatório revela pagamento de £9,6 milhões ligado a Lance Stroll

Outro dado que chamou atenção nas contas de 2025 envolve Lance Stroll.

A AMR GP Limited registrou um pagamento de £9,609 milhões à Golden Eagle Racing Limited, empresa ligada às atividades profissionais do piloto canadense.

O valor é praticamente o mesmo registrado no ano anterior. Em 2024, o pagamento havia sido de £9,589 milhões, uma diferença de aproximadamente £20 mil.

A informação aparece nas contas porque se trata de uma transação com parte relacionada.

É importante destacar, entretanto, que o valor de £9,609 milhões não deve ser interpretado automaticamente como o salário líquido recebido pessoalmente por Lance Stroll. O pagamento é feito à Golden Eagle Racing Limited, empresa associada às atividades de corrida do piloto.

Por isso, a maneira mais precisa de apresentar o dado é dizer que a Aston Martin pagou £9,609 milhões à empresa ligada às atividades de Lance Stroll em 2025.

Quanto isso representa diante do prejuízo?

A comparação dos números ajuda a dimensionar os valores envolvidos.

A equipe teve receita de £344,2 milhões e prejuízo final de £41,1 milhões em 2025. No mesmo exercício, foram pagos £9,609 milhões à empresa ligada a Lance Stroll.

O pagamento corresponde a aproximadamente 23% do prejuízo final registrado pela AMR GP.

Essa comparação, entretanto, não significa que o pagamento a Stroll tenha causado o prejuízo da equipe. O resultado financeiro é formado por dezenas de receitas e despesas diferentes, incluindo salários, pesquisa e desenvolvimento, infraestrutura, despesas financeiras e outros custos operacionais.

E Fernando Alonso?

As contas da AMR GP não apresentam separadamente um valor equivalente para Fernando Alonso.

Por isso, não é possível utilizar o relatório para estabelecer uma comparação direta entre o que Aston Martin paga aos dois pilotos.

Estimativas sobre a remuneração de Alonso circulam há anos na imprensa especializada, mas esses valores não aparecem no balanço da equipe da mesma maneira que o pagamento à Golden Eagle Racing Limited.

Não confundir a equipe de F1 com a fabricante Aston Martin

Outro ponto importante é diferenciar as empresas.

O prejuízo de £41,1 milhões mencionado nesta reportagem corresponde à AMR GP Limited, responsável pela operação da Aston Martin na Fórmula 1.

Já a Aston Martin Lagonda, fabricante de automóveis de luxo, possui demonstrações financeiras próprias.

O relatório anual da fabricante mostra que o grupo encerrou 2025 com prejuízo disponível aos acionistas de £493,2 milhões. O prejuízo ajustado ficou em £427,4 milhões. A dívida líquida alcançou £1,380 bilhão no final do ano, ante £1,163 bilhão em 2024.

Portanto, não é correto somar automaticamente os números da equipe de Fórmula 1 aos da fabricante como se fossem uma única operação.

Aston Martin F1: uma equipe que ainda está investindo pesado

Apesar do prejuízo, os números também mostram uma operação em expansão.

A receita da equipe cresceu mais de 20% em 2025, o quadro de funcionários aumentou significativamente e os investimentos em pesquisa e desenvolvimento continuaram elevados.

O balanço também mostra que a AMR GP contratou um novo empréstimo de £40 milhões durante 2025, com prazo de cinco anos e taxa fixa de juros de 10%. No final do exercício, a empresa tinha £336,6 milhões em empréstimos registrados no balanço.

A estratégia, portanto, envolve gastar agora para ampliar a capacidade técnica e operacional da equipe.

A grande questão para os próximos anos será saber quando esse investimento começará a se transformar em resultados financeiros positivos e, principalmente, em desempenho competitivo dentro da Fórmula 1.

Um novo capítulo para a Aston Martin

Os números de 2025 aparecem em um momento de mudanças importantes na relação entre a fabricante e a equipe de Fórmula 1.

Em fevereiro de 2026, a Aston Martin Lagonda anunciou uma proposta para vender à AMR GP, por £50 milhões, os direitos de utilização do nome Aston Martin na denominação da equipe e como nome de chassi, dentro das operações de Fórmula 1. A operação foi tratada como uma transação com parte relacionada, já que Lawrence Stroll possui vínculos societários e de controle com as empresas envolvidas.

O relatório anual da fabricante também registra essa operação como evento posterior ao encerramento do exercício de 2025.

O que os números revelam

Os resultados financeiros oferecem uma fotografia interessante da Aston Martin na Fórmula 1.

A equipe faturou £344,2 milhões em 2025, mas terminou o ano com prejuízo de £41,1 milhões. O número de funcionários chegou a 996, enquanto os custos com pessoal alcançaram £134,1 milhões.

Ao mesmo tempo, o relatório revelou um pagamento de £9,609 milhões à Golden Eagle Racing Limited, empresa ligada às atividades de Lance Stroll.

Mais do que simplesmente representar um gasto isolado, os números mostram o tamanho da estrutura construída pela Aston Martin para tentar alcançar um novo patamar na Fórmula 1.

A equipe continua gastando milhões em tecnologia, pessoal e infraestrutura. O objetivo declarado do projeto é transformar essa estrutura em desempenho competitivo.

O balanço de 2025 mostra, porém, que essa transformação ainda tem um custo financeiro bastante elevado.

Aceleraaa com a gente, Balaclava F1.

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