AYRTON SENNA APRESENTAÇÃO DA TEMPORADA DE 1991; O TIRA TEIMA DEFINITIVO

Ayrton Senna apresentação da temporada de 1991

Com um novo sistema de pontuação, o campeonato colocaria á prova os estilos de Senna e Prost. Quem levaria a melhor com a mudança?

Entre 1988 e 1990, foram disputados 48 Grandes Prêmios na Fórmula 1. Em 39 deles, a pole position ficou com Ayrton Senna ou com Alain Prost, e o brasileiro e o francês somaram 36 vitórias no período.

Nessa era de incrível polarização entre Senna e Prost, era comum ouvir que o primeiro era o mais arrojado e perseguia sempre a vitória, enquanto o segundo era o mais pragmático, apostando na regularidade e na estratégia para pontuar mais que os concorrentes. E se o Campeonato Mundial de 1991 já era encarado como um grande tira-teima entre os campeões, uma alteração do regulamento da Fórmula 1 multiplicou as expectativas dos torcedores, ansiosos para descobrir qual estilo de pilotagem seria consagrado.

As novas regras foram ventiladas ainda no fim de 1990, na cerimônia de gala da Federação Internacional de Automobilismo Esportivo (Fisa), em Paris, e confirmadas algumas semanas antes do GP dos Estados Unidos, que daria início á temporada. A partir de 1991, a vitória passaria a ser premiada com um ponto extra – ou seja, o primeiro colocado ficaria com dez pontos, e não os nove do regulamento anterior. Além disso, não haveria mais o descarte dos cinco piores resultados de cada piloto: as pontuações de todos os GPs seriam computadas na disputa pelo título mundial.

Em teoria, a primeira mudança ajudaria Senna, famoso por não se contentar com nenhum desfecho que não fosse o topo do pódio. Dar dez pontos ao ganhador da corrida é uma mediada correta, pois a vitória deve sempre ser valorizada, elogiou o brasileiro. O fim dos descartes, entretanto, tinha tudo para ser favorável a Prost, cuja reputação era de o piloto avesso aos riscos, satisfeito com a rotina de terminar todas as provas, quase sempre cavar um lugar no pódio e colecionar todos os pontos possíveis.

CORRIDAS MORNAS

Independente do impacto que produziria na briga pelo título, Ayrton acreditava que essa segunda mudança poderia prejudicar o espetáculo. Muitas vezes será mais conveniente garantir o segundo lugar do que brigar pelo primeiro, deixando as corridas mornas, explicou. Escalado pela decisão que tirou de suas mãos o campeonato de 1989, Senna confessou ter ficado alarmado com a decisão da Fisa. Quando tomei conhecimento, cheguei a pensar que poderia ser algo pessoal. Mas depois acabei abandonando essa ideia. Acho que é mesmo uma tentativa de melhorar a competição.

Para ele, melhor seria um meio-termo, como diminuir os descartes de cinco para três provas, por exemplo. Um piloto costuma enfrentar problemas com pneus, motor, radiador…. Não é justo que ele pague por isso se precisar abandonar a prova, lembrou. O bicampeão, contudo, não pretendia contestar as mudanças: A regra é essa e teremos de segui-la.

Na França, o novo regulamento foi considerado auspicioso por Alain Prost. Seria, afinal, a chance de mostrar que sua regularidade era mais valiosa que as explosões de genialidade de Senna. Costumo chegar ao fim de todas as corridas sem forçar o carro, então não tenho motivos para me preocupar, gabou-se. A dúvida maior parecia ser sobre a sua participação de Prost no campeonato, já que ele passou a pré-temporada inteira fazendo mistério sobre sua renovação de contrato com a Ferrari.

A MISE-EN-SCÉNE DO VICE

Ainda melindrado com o bi de Senna, o francês adiou diversas vezes o anúncio de sua decisão, embora não houvesse nenhuma alternativa viável para sua transferência para outra equipe de ponta da Fórmula 1. Rumores davam conta que havia um acerto sigiloso entre Senna e Ferrari para a temporada 1992; o atraso no acordo para 1991, portanto, seria uma forma de o francês pressionar a escuderia de Maranello.

Quem acabou estragando a mise-en-scéne de Prost foi, quem diria, Jean-Marie Balestre, agora um ex-aliado. Furioso com a ausência de Prost na festança de fim de ano da Fisa, o cartola mandou divulgar a numeração oficial dos pilotos para 1991 antes que Prost anunciasse o fico. Na lista dos inscritos, estava lá o francês na Ferrari com o número 27. E foi assim que se confirmou sua participação do Mundial de 1991 pela Scuderia.

Graças ao título de 1990, Senna recuperava o número 1 e seria novamente acompanhado por Gerhard Berger na McLaren. No troca-troca das equipes, a única mudança significativa para 1991 seria o retorno de Nigel Mansell á Williams, substituindo Thierry Boutsen e formando dupla com Ricardo Patrese. A Ferrari preencheu a vaga que era do leão com o italiano Jean Alesi, revelação do ano anterior pela Tyrrell. Outros três brasileiros tinham vaga garantida para o início do campeonato: a Benetton escalava Nelson Piquet e Roberto Pupo Moreno, enquanto Maurício Gugelmin seguia na Leyton House. Estava tudo pronto para mais uma temporada memorável.

 

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