AYRTON SENNA FECHAMENTO DA TEMPORADA DE 1990

Ayrton Senna vence o GP da Austrália 1990

No GP da Austrália, Prost insistiu em tentar ofuscar o brilho de Senna. Não adiantou: a superioridade de agora bicampeão era inquestionável.

O campeonato já estava decidido, a corrida não valia quase nada e o fim da temporada 1990 coincidia com uma marca histórica para a Fórmula 1. Era o cenário perfeito para uma grande festa no circuito de rua de Adelaide. Só que o assunto ás vésperas do Grande Prêmio de número 500 da categoria ainda não havia mudado: passadas duas semanas da batida que decidiu o titulo logo depois da largada em Suzuka, a guerra entre Ayrton Senna e Alain Prost seguia ganhando as manchetes.

Atormentado pelo vice, o francês a cada dia subia de tom em suas críticas ao brasileiro. Chegou a declarar que Senna era ruim para o esporte e um mau exemplo para os jovens. Em sua chegada á Austrália, Ayrton reagiu com bom humor. Na verdade, Prost me faz rir. Ele transforma tudo num grande problema, faz uma enorme confusão… Ele reclama de tudo! É bom para os jornalistas, porque aí não falta assunto, não fica chato. Senna não permitiu nem mesmo que uma manobra duvidosa do pouco imparcial Jean-Marie Balestre entregasse sua satisfação com a conquista do bicampeonato.

Em vez de tentar apagar o incêndio que consumia todas as atenções em meio aos preparativos para o 500 GP da história da Fórmula 1, o dirigente francês despejou ainda mais combustível na fogueira ao anunciar a criação de uma comissão especial de segurança para avaliar a conduta dos competidores nas 16 provas daquela temporada. Suas conclusões seriam levadas em conta na hora de emitir as superlicenças para os pilotos inscritos no campeonato de 1991. Era, obviamente, uma ameaça implícita a Senna, que Balestre já havia definido como perigoso. O brasileiro deu de ombros, garantindo que, desta vez, não acreditava em nunhum tipo de retaliação contra ele. Acho que qualquer ajuste destinado a melhorar nossa atividade é bem-vindo. Não vejo nada de negativo nisso, desconversou.

DE GOLEADA

Não era difícil entender o motivo de tamanha tranquilidade. Enquanto seu arquirrival esperneava no desembarque em Adelaide, Senna conversava calmamente com os jornalistas, em inglês, italiano e português, fazendo seu balanço de uma temporada de muito brilho e enorme esforço.

De fato, os números finais da temporada 1990 dissipavam a cortina de fumaça levantada pelos queixumes de Alain Prost. Forma seis vitórias de Senna – uma a mais que o francês – e nada menos que dez pole positions, indicando um domínio espantoso do brasileiro nos treinos classificatórios. Igualmente notável é o fato de o brasileiro ter liderado 2.533 km de um total de 4.784 km na soma de todos os GPs. Ou seja: Ayrton ocupou a primeira colocação, olhando todos os oponentes pelo retrovisor, durante mais da metade do campeonato. Prost liderou por…. 480 km.

SOL E MAR

Disputada em 4 de novembro de 1990, a corrida de rua na Austrália foi um retrato daquela temporada. A última prova do ano teve Senna, para variar, ocupando a primeira posição do grid, a 52a pole position da carreira. Enquanto sua McLaren não teve problemas, Ayrton passeou por Adelaide, chegando a abrir 25 segundos de vantagem na ponta. Na 61a volta, o bicampeão mundial precisou abandonar, com uma falha nos freios. Nelson Piquet aproveitou a quebra de Senna, assumiu a ponta e comemorou a vitória, com Nigel Mansell e um desanimado Prost completando o pódio.

Antes da prova, Senna havia dito que o triunfo em Adelaide seria uma resposta saborosa ás críticas, mas sua postura evidenciava a sensação de dever cumprido independente do resultado. A pressão já foi embora, meu estado de espírito é outro, afirmou Senna, despreocupado. Quero curtir ao máximo o sol e o mar no Brasil, pegar um bronze esperto.

A saudade já era grande. Sem pisar no País havia cinco meses por causa da temporada atribulada, Senna desembarcou no Aeroporto de Congonhas em 8 de novembro, trazido por seu jato British Airspace 125, que o aguardava em Buenos Aires após um voo de carreira entre a Austrália e a Argentina. O campeão do mundo elencou, ainda no hangar do aeroporto paulistano, algumas de suas próximas metas – entre elas, aquela que era uma obsessão do piloto forjado de Interlagos. Quero ganhar o GP do Brasil para enlouquecer a galera, disse Senna, prevendo um campeonato de 1991 para arrebentar corações. Ayrton e a torcida não podiam por esperar.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *