GP de Baku: a história da corrida mais imprevisível da Fórmula 1

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Poucos circuitos entraram tão rapidamente para a história recente da Fórmula 1 quanto o Baku City Circuit, no Azerbaijão. Em apenas alguns anos, as ruas da capital do país foram palco de vitórias inesperadas, acidentes espetaculares, disputas intensas e momentos que ficaram marcados na memória dos fãs.

Mas existe uma curiosidade logo no começo dessa história: a primeira corrida de Fórmula 1 em Baku não se chamou Grande Prêmio do Azerbaijão.

A estreia de Baku na Fórmula 1

A Fórmula 1 chegou oficialmente a Baku em 19 de junho de 2016, quando a cidade recebeu o Grande Prêmio da Europa. A prova foi a 23ª e última edição de uma corrida que utilizava o nome “Grande Prêmio da Europa”. A partir de 2017, o evento passou a ser chamado oficialmente de Grande Prêmio do Azerbaijão.

O circuito foi projetado pelo alemão Hermann Tilke, conhecido por desenhar diversos autódromos modernos da Fórmula 1. Diferentemente de circuitos permanentes, Baku utiliza as ruas da própria cidade, criando uma combinação bastante peculiar entre trechos extremamente rápidos e setores estreitos e técnicos.

E foi justamente essa combinação que ajudou a transformar Baku em um dos circuitos mais particulares do calendário.

Quem venceu a primeira corrida em Baku?

O primeiro vencedor da história da Fórmula 1 em Baku foi o alemão Nico Rosberg, da Mercedes.

Rosberg largou na pole position e venceu o Grande Prêmio da Europa de 2016 com relativa tranquilidade. Sebastian Vettel, da Ferrari, terminou em segundo, enquanto Sergio Pérez, da Force India, completou o pódio.

Rosberg completou as 51 voltas em 1h32min52s366, cruzando a linha de chegada 16,696 segundos à frente de Vettel.

Curiosamente, a primeira corrida em Baku teve também um momento difícil para o outro piloto da Mercedes, Lewis Hamilton. Ele largou apenas em décimo e conseguiu avançar posições, mas enfrentou problemas relacionados ao sistema ERS e terminou somente em quinto.

Naquele momento, Rosberg estava em uma intensa disputa pelo campeonato justamente contra Hamilton. No final daquela temporada, o alemão conquistaria seu único título mundial de Fórmula 1.

De Grande Prêmio da Europa a Grande Prêmio do Azerbaijão

Depois da estreia em 2016, Baku permaneceu no calendário, mas com uma mudança importante no nome.

Em 2017, nasceu oficialmente o Grande Prêmio do Azerbaijão.

E se a primeira edição foi relativamente controlada, a segunda mostrou ao mundo por que Baku poderia se tornar sinônimo de caos e imprevisibilidade.

O vencedor foi Daniel Ricciardo, da Red Bull Racing. O australiano largou apenas em décimo e conseguiu transformar uma corrida cheia de incidentes em sua quinta vitória na Fórmula 1.

O pódio daquele ano também foi histórico. Valtteri Bottas terminou em segundo e o então jovem Lance Stroll, da Williams, conquistou o terceiro lugar — seu primeiro pódio na Fórmula 1.

A corrida ficou especialmente famosa pelo confronto entre Sebastian Vettel e Lewis Hamilton atrás do Safety Car. O episódio se tornou um dos momentos mais comentados daquela temporada.

O que torna Baku tão diferente?

O Baku City Circuit tem atualmente 6,003 quilômetros, 20 curvas e uma distância de corrida de aproximadamente 306 quilômetros, distribuída por 51 voltas.

Mas os números não contam toda a história.

Uma das principais características da pista é a enorme reta que acompanha a região costeira de Baku. Ela favorece o vácuo e permite velocidades muito elevadas antes da forte freada para a curva 1. A Fórmula 1 destaca que os carros podem chegar a disputar espaço até três lado a lado nesse trecho.

Depois de uma das partes mais rápidas do circuito, os pilotos entram em uma região completamente diferente: a Cidade Velha, conhecida como Icherisheher.

É ali que Baku fica realmente especial.

Um dos trechos mais estreitos da Fórmula 1

Na região das curvas 8 e 9, o circuito chega a apenas 7,6 metros de largura.

Para um carro de Fórmula 1, isso significa que não existe muito espaço para erros.

O trecho passa ao lado das antigas muralhas da Cidade Velha e forma uma das imagens mais bonitas e características do calendário da categoria. De um lado estão as construções históricas; do outro, as barreiras que não perdoam qualquer excesso do piloto.

É uma combinação curiosa: uma pista moderna de alta velocidade passando praticamente dentro de uma área histórica da cidade.

A corrida que virou sinônimo de drama

Se existe uma característica que acompanha a história do GP do Azerbaijão, é a capacidade de transformar uma corrida aparentemente definida em poucos minutos.

Em 2018, por exemplo, Valtteri Bottas caminhava para uma possível vitória quando sofreu um furo de pneu a apenas três voltas do final. O incidente entregou a liderança a Lewis Hamilton, que venceu a prova.

Na mesma corrida, os pilotos da Red Bull, Daniel Ricciardo e Max Verstappen, se envolveram em uma colisão entre companheiros de equipe.

Baku novamente mostrou sua capacidade de mudar completamente o roteiro de uma corrida.

2021: um final de tirar o fôlego

Outro capítulo marcante aconteceu em 2021.

Max Verstappen liderava a corrida quando sofreu um problema no pneu e bateu. Lance Stroll também havia abandonado anteriormente por uma falha semelhante.

A prova precisou ser interrompida e houve uma relargada para as duas últimas voltas.

Lewis Hamilton tinha uma grande oportunidade de vencer, mas acabou passando reto na curva 1 depois de selecionar acidentalmente uma configuração de freio conhecida como “magic”. Com isso, Sergio Pérez venceu pela Red Bull.

Foi uma das conclusões mais inesperadas da história recente do Grande Prêmio do Azerbaijão.

Sergio Pérez e a relação especial com Baku

Falando em Baku, é impossível não mencionar Sergio Pérez.

O mexicano venceu o GP do Azerbaijão em 2021 e 2023, tornando-se, naquele momento, o piloto com mais vitórias na história da prova.

Sua primeira vitória veio justamente no dramático GP de 2021. Em 2023, Pérez voltou a vencer, desta vez em uma corrida na qual seu companheiro de equipe, Max Verstappen, terminou em segundo.

Baku se tornou, portanto, um dos circuitos mais associados ao piloto mexicano.

Charles Leclerc: especialista na classificação

Outra curiosidade interessante envolve Charles Leclerc.

O piloto da Ferrari construiu uma impressionante sequência de poles em Baku. Até 2024, Leclerc havia conquistado quatro poles consecutivas no GP do Azerbaijão, entre 2021 e 2024.

Isso cria uma das peculiaridades do circuito: o piloto pode ser extremamente rápido em uma volta de classificação e, ainda assim, encontrar dificuldades para transformar essa velocidade em vitória no domingo.

Leclerc, inclusive, é o dono do recorde oficial de volta da pista: 1min43s009, registrado em 2019.

A vitória de Oscar Piastri em 2024

Em 2024, o vencedor foi Oscar Piastri, da McLaren.

O australiano largou em segundo e assumiu a liderança depois de uma disputa com Charles Leclerc. Piastri conseguiu controlar a corrida e levou a McLaren ao topo do pódio em uma das provas mais importantes de sua jovem carreira.

Leclerc terminou em segundo e George Russell em terceiro.

O final também teve drama: uma colisão entre Carlos Sainz e Sergio Pérez na disputa pelo terceiro lugar permitiu que Russell herdasse a posição no pódio.

E quem venceu Baku em 2025?

A edição de 2025 teve um vencedor diferente novamente.

Max Verstappen, da Red Bull Racing, conquistou o Grande Prêmio do Azerbaijão de 2025. O holandês largou da pole, liderou todas as 51 voltas e também estabeleceu a volta mais rápida da corrida, completando um Grand Slam.

George Russell terminou em segundo e Carlos Sainz conquistou o terceiro lugar pela Williams.

A vitória de Verstappen reforçou uma característica interessante da história de Baku: apesar de ser um circuito que frequentemente produz surpresas, também é uma pista na qual o domínio absoluto é possível quando o piloto e o carro encontram o acerto ideal.

Os vencedores do GP do Azerbaijão

Desde que a corrida passou a utilizar oficialmente o nome Grande Prêmio do Azerbaijão, os vencedores foram:

  • 2017 — Daniel Ricciardo, Red Bull Racing

  • 2018 — Lewis Hamilton, Mercedes

  • 2019 — Valtteri Bottas, Mercedes

  • 2020 — não houve corrida, devido à pandemia de Covid-19

  • 2021 — Sergio Pérez, Red Bull Racing

  • 2022 — Max Verstappen, Red Bull Racing

  • 2023 — Sergio Pérez, Red Bull Racing

  • 2024 — Oscar Piastri, McLaren

  • 2025 — Max Verstappen, Red Bull Racing

Antes dessa sequência, é importante lembrar: Nico Rosberg foi o primeiro vencedor de uma corrida de Fórmula 1 realizada em Baku, em 2016, quando o evento ainda era chamado de Grande Prêmio da Europa.

Curiosidades do GP de Baku

Baku reúne uma quantidade impressionante de fatos curiosos para uma corrida que entrou no calendário apenas em 2016.

  • Primeira corrida: 2016, como Grande Prêmio da Europa.

  • Primeiro vencedor em Baku: Nico Rosberg.

  • Primeiro vencedor do GP do Azerbaijão: Daniel Ricciardo, em 2017.

  • Extensão do circuito: 6,003 km.

  • Número de voltas: 51.

  • Número de curvas: 20.

  • Trecho mais estreito: aproximadamente 7,6 metros, entre as curvas 8 e 9.

  • Recorde oficial de volta: Charles Leclerc, 1min43s009, em 2019.

  • Primeiro pódio de Lance Stroll: aconteceu em Baku, em 2017.

  • Piloto com mais vitórias até 2025: Sergio Pérez e Max Verstappen, com duas cada.

  • Vencedor mais recente: Max Verstappen, em 2025.

Por que Baku conquistou seu espaço na Fórmula 1?

A história do GP do Azerbaijão ainda é relativamente curta quando comparada a circuitos tradicionais como Monza, Silverstone ou Spa-Francorchamps. Mesmo assim, Baku conseguiu construir uma identidade própria.

A explicação está no contraste.

Em poucos minutos, o piloto sai de uma longa reta onde os carros atingem velocidades muito altas e entra em uma sequência estreita junto às antigas muralhas da cidade. Há curvas de 90 graus, zonas de forte frenagem, oportunidades de ultrapassagem e pouco espaço para erros.

É uma pista que exige velocidade, precisão e capacidade de adaptação.

E talvez seja justamente por isso que Baku tenha produzido tantos finais imprevisíveis.

Desde a vitória de Nico Rosberg em 2016 até o triunfo de Max Verstappen em 2025, a história da Fórmula 1 no Azerbaijão foi construída com vencedores diferentes, acidentes, disputas pelo título, estreias no pódio e reviravoltas.

Baku pode ser uma das corridas mais jovens do calendário, mas já possui uma das histórias mais interessantes da Fórmula 1 moderna.

Aceleraaa com a gente, Balaclava F1.

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