AYRTON SENNA O ACERTO COM A WILLIAMS; A UNIÃO MAIS ESPERADA DA F1

Ayrton Senna o acerto com a Williams

Saída de Prost permitiu a Senna e Frank Williams realizarem um sonho comum: ter o brasileiro no comando de um carro da escuderia de Didcot.

A troca dos primeiros olhares havia acontecido dez anos antes. Nesse longo período alguns momentos de quase namoro, mas, por um motivo ou por outro, os flertes nunca evoluíram para além da amizade. Até que, em 11 de outubro de 1993, a Fórmula 1 teve a notícia do casamento – finalmente! – de dois de seus maiores protagonistas: Ayrton Senna e a equipe Williams.

Com o caminho aberto pela aposentadoria de Alain Prost, o brasileiro e a equipe tornaram pública, em entrevistas simultâneas em Didcot e São Paulo, a parceria tantas vezes ensaiada, mas nunca consumada.

É como um sonho que vira realidade. Como todos sabem, foi o Frank quem me deu a primeira oportunidade de guiar um Fórmula 1, ainda em 1983. E, desde então, nós estivemos várias vezes bem perto de fechar um contrato, afirmou Ayrton Senna, que recebeu a imprensa em seu escritório na Zona Norte paulistana. No final do ano passado, cheguei bem perto de me transferir para a Fórmula Indy. Agora posso dizer que estou muito feliz de não ter tomada essa decisão.

Do outro lado do Atlântico, na sede da equipe, Frank Williams também respirava aliviado. A decisão de Alain Prost de abandonar o automobilismo nos deixou com um grande problema para resolver. E Senna era o único capaz de substitui-lo á altura.

FAVORITO, MAS COM RESSALVAS

A reunião de Ayrton com a equipe que havia vencido, com folgas, os dois últimos campeonatos mundiais parecia uma receita infalível para o tetra do brasileiro e para o tri seguido da Williams, que seguiria com os poderosos motores Renault. Senna admitia o favoritismo, mas tratava de colocar um freio nas expectativas. Mesmo com a McLaren obtendo motores da Peugeot, ainda acredito que os carros da Williams manterão a supremacia. Isso não quer dizer que a próxima temporada será uma barbada, ponderou. Estou chegando para dirigir um carro novo, dentro de uma equipe de profissionais também nova. O regulamento também foi profundamente alterado e alguns concorrentes estão evoluindo, lembrou ele, ressaltando a profunda competitividade da Fórmula 1 e afirmando que nenhuma equipe manteve sua hegemonia por tantos anos a fio.

Ayrton reservou um momento para fazer um elogio ao novo chefe. Conheci Ron Dennis e Frank praticamente na mesma época. Ambos sempre demonstraram disposição para ter os melhores equipamentos, característica que sempre me atraiu neles. Mas com Frank a relação é ainda mais íntima. Além da firmeza nas negociações, Frank possui paixão especial pelo automobilismo. E ter o melhor carro foi uma coisa que sempre busquei na minha carreira.

Sobre isso, aliás, Senna não acreditava que o fato de finalmente entrar no cockpit pelo qual tanto batalhou lhe trazia qualquer responsabilidade extra de vencer. Sempre recebi muitas cobranças e tenho conseguido administrá-las. A Williams vai abrir um novo caminho em minha vida profissional, mas para mim o mais importante é ter condições de competir com as mesmas chances dos demais. Os resultados – poles, campeonatos, recordes – serão apenas consequência dessa nova etapa.

Os termos financeiros do acerto não foram divulgados oficialmente. Senna se limitou a esclarecer, sorrindo, que não correria de graça – em uma menção á sua declaração no ano anterior, que causou celeuma no circo da Fórmula 1. Frank Williams também seguiu pela linha da brincadeira. O salário de Senna está em US$ 1 e US$ 100 milhões.

DAMON FICA

Na mesma entrevista, o chefão da equipe aproveitou para confirmar Damon Hill na posição de segundo piloto. Apesar do bom papel em 1993 – Hill venceu três corridas e ficou na terceira posição no campeonato, á frente de Michael Schumacher e de sua já bem desenvolvida Benetton/Ford, muitos acreditavam que a Renault conseguiria emplacar um piloto francês na Williams. Mas Patrick Head, projetista da equipe, bateu o pé e impediu a saída do compatriota, que agradeceu a confiança da equipe.

Quando cheguei á Williams como piloto de testes, trabalhava para Nigel Mansell. Este ano, com Alain Prost, recebi verdadeiras aulas, aprendi demais com o trabalho que ele desenvolveu. Ano que vem serei o companheiro de Ayrton Senna. Acho que agora vou fazer o mestrado, porque nenhum piloto nesse esporte deve ter tido uma iniciação tão qualificada, afirmou. Restava a ele colocar a teoria em prática em 1994.

Aceleraaa com a gente, Balaclava F1.

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