LOTUS 97T; CARRO DE TIME GRANDE

Ayrton Senna e Elio de Angelis, no lançamento do Lotus 97T em 1985

Em 1985, depois de muito tempo, a Lotus voltava a iniciar uma temporada de Fórmula 1 com um modelo á altura da história da equipe.

Uma versão mais forte, mais refinada e mais desenvolvida de um carro que já era bom. A frase de Peter Warr, estrategicamente escolhida pelo departamento de comunicação da Lotus para abrir o press-release de apresentação do 97T, em fevereiro de 1985, indicava a total e irrestrita confiança da equipe no novo bólido preto e dourado. Tratava-se do terceiro carro que nascia sob a supervisão do diretor técnico Gérard Ducarouge para a escuderia- e, como Warr fez questão de registrar, integrava a nova linhagem da Lotus, descendendo diretamente do modelo anterior, o 95T.

Apesar de não ter registrado vitória alguma durante a temporada de 1984, o 95T havia levado Nigel Mansell e Elio de Angelis ao pódio em seis oportunidades. Tão ou mais importante do que isso, porém, mostrou uma regularidade que há muito não se via na Lotus: De Angelis, bem mais equilibrado que o companheiro de equipe, terminou 12 das 16 provas da temporada. O grande ponto negativo do carro era o alto consumo de combustível, que impedia que os pilotos extraíssem o máximo do motor Renault V6 – para economizar gasolina, muitas vezes era preciso deixar de acionar o turbo.

AO ATAQUE

Ducarouge e o projetista-chefe Martin Ogilvie se debruçariam sobre esse problema, visando resolver – ou ao menos aplacar – a questão no 97T. Os testes iniciais em laboratório e nas pistas mostraram melhorias consideráveis, apontando para maior potência com menor consumo de combustível.

Como a maioria de nossos rivais usará os mesmos tipos de pneus que os nossos Goodyear, acredito que todos correremos em relativo pé de igualdade, garantiu Peter Warr. Então estou muito mais confiante do que no ano passado e estamos todos ansiosos para correr com o 97T.

Com o chassis composto em fibra de carbono – técnica em que a Lotus foi pioneira, com o Lotus 88, lançado em 1981 -, o carro tinha o peso mínimo permitido regulamento da Fórmula 1 em 1985: 540 kg: E, apesar de ser menor e mais esguio do que o antecessor, prometia cavalaria pesada com a nova versão do motor Renault V6 e o turbocharger Garret. Entre outros avanços, o 97T também apresentava freios de fibra de carbono como equipamento original e melhorias na aerodinâmica e na suspensão.

Temos o conjunto completo para atacar o Campeonato Mundial de 1985, propagandeava Brian Wray, diretor de marketing da Imperial Tobacco, controladora da John Player Special, no comunicado de Imprensa. Falar, para ele, era fácil. Cabia a Ayrton Senna e Elio de Angelis a missão de tirar as palavras do papel.

FICHA TÉCNICA

John Player Special LOTUS 97T

Dimensões Principais:

Comprimento: 422 cm / Largura: 215 cm / Peso: 540 kg / Distância entre-eixos 272 cm / Bitola dianteira: 181 cm

Bitola traseira: 162 cm

CHASSI

Painéis em fibra de carbono/ Kevlar e monocoque em honeycomb de alumínio com reforços de Kevlar

PNEUS

Radiais Goodyear

SISTEMA DE FREIOS

Frente e traseira operados por discos de carbono ventilados. Balanceamento dos freios comandado manualmente pelo piloto.

CARROCERIA

Projetada e construída pela Lotus utilizando peças Hewland

TANQUE DE COMBUSTÍVEL 

Célula única ATL revestida de borracha e instalada no interior da estrutura principal atrás do piloto

MOTOR

Renault V6 Turbo

EMBREAGEM

Dois discos de 18,4 cm de diâmetro com acionamento hidráulico

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