RENOVAÇÃO DE CONTRATO COM A MCLAREN; FIM DE UM SUSPENSE, COMEÇO DE OUTRO

Ayrton Senna renova com a McLaren, fim de um suspense

Senna e Ron Dennis fecharam acordo de dois anos, mas que dava ao brasileiro liberdade de sair ao final de uma temporada. A Ferrari seria o destino?

McLaren? Ferrari? Benetton? Williams? Em disputa paralela ao Campeonato Mundial de Fórmula 1 de 1990, sobravam especulações sobre o carro que Ayrton Senna pilotaria na temporada seguinte. O contrato do brasileiro com a McLaren terminava no fim do ano, e a renovação estava complicada. Mas, ao desembarcar em Bruxelas para o fim de semana do Grande Prêmio da Bélgica, o piloto deu publicamente um recado a todos os envolvidos: sua situação estaria, de um jeito ou de outro, definida antes do início da corrida em Spa. Não sei se será anunciada, mas será tomada neste final de semana.

Desde o fim de junho, Senna vinha negociando pessoalmente com diversas equipes seu destino para 1991. Com a morte de seu empresário e amigo Armando Botelho, três anos antes, o piloto preferiu conduzir sem intermediários todas as conversas sobre contratos, sempre auxiliado e aconselhado pelo pai, seu Milton da Silva. A relação com a McLaren havia sofrido desgaste sensível na temporada de 1990, com Ayrton cobrando energicamente melhorias no carro para acompanhar o desenvolvimento tecnológico da concorrência.

As especulações começaram a aumentar quando o brasileiro visitou Maranello a convite de Gianni Agnelli, após o Grande Prêmio do México. A Ferrari, porém, acertou algum tempo depois a renovação com Alain Prost para o posto de primeiro piloto até o fim de 1991. Mas isso não serviu para aplacar os rumores, já que esperava que Prost abandonasse a Fórmula 1 ao final desse período: a vaga de primeiro piloto, portanto, estaria livre em 1992, e Senna era, naturalmente, o grande candidato para preenchê-la.

UM ANO

Coincidência ou não, Ayrton Senna não abria mão de assinar contrato por um ano, com valores na casa de U$ 12 Milhões; Ron Dennis, chefe da McLaren, queria um acordo válido por dois anos e desconto de valores. O montante, de fato, era alto. A Benetton, por exemplo, até chegou a conversar com o brasileiro, mas acabou fechando com Nelson Piquet e Alessandro Nannini, que juntos, ganhariam menos que Senna estava pedindo.

Foi quando a Williams entrou na parada. Na semana do Grande Prêmio da Alemanha, em julho, Senna fez várias visitas ao motorhome de Frank Williams. As conversas evoluíram a tal ponto que, depois da corrida seguinte, na Hungria, Frank entregou a Senna uma minuta de contrato.

Apesar de a oferta financeira ser menor, Ayrton considerou a proposta interessante pelo vínculo ser de apenas um ano. Ron Dennis, por sua vez, mantinha-se em silêncio, fechando a cara sempre que o assunto era mencionado.

MAIS UM ANO

Na noite de sexta-feira, porém, a novela teve finalmente seu final feliz para Senna e para a McLaren, que finalmente assinaram um contrato no meio do caminho, digamos assim. O acordo era válido por dois anos, com uma cláusula de opção de renovação ao final do primeiro – algo que, na prática, dava ao piloto a liberdade de deixar a equipe depois da temporada de 1991. Para isso, Ayrton topou reduzir o valor a ser recebido – por questões de confidencialidade, as cifras finais não foram anunciadas.

Havia coisas complicadas a discutir, tanto do ponto de vista técnico quanto do econômico. Ninguém pode esperar que isso se decida simplesmente, que haja a oferta e a imediata aceitação. Mas foi uma coisa cansativa, porque aconteceu entre corridas e testes. Isso acabou com a minha vida, meu tempo ficou todo para o automobilismo.

E eram conversas paralelas, porque falei também com outras equipes, afirmou Senna, que, no sábado, afirmou que por pouco não topou a proposta da Williams.

Tenho amizade e respeito por Frank Williams e ele foi uma das pessoas que, no início da minha carreira, me ofereceram um carro. A nossa conversa sobre contrato foi sempre direta, e confesso que estive muito perto de assinar com a Williams. A coisa chegou a ficar no limite. Mas Frank entendeu a minha posição e foi extremamente gentil.

Apesar de ter conseguido a opção de escolher ficar ou não na McLaren no segundo ano de contrato, Senna garantiu que pretenderia cumprir os dois anos completos. Vou me esforçar para que a McLaren vença não só neste ano, como em 1991 e 1992. De qualquer forma, fez questão de soltar um plano de futuro que continuaria alimentado o suspense por mais algum tempo. Não conheço um piloto de Fórmula 1 que não tenha o sonho de dirigir para uma Ferrari, que é o carro de maior prestígio em todo o mundo. Eu podia ter ido para a Ferrari antes, quando fiz meu contrato com a McLaren. Podia ter ido agora também. Uma coisa é certa: eu vou dirigir uma Ferrari.

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